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02/01/2012 - Porto em fase de expansão segura

O balanço anual da Codesp, divulgado há poucos dias, demonstra que a administradora do Porto preferiu ser cautelosa nas projeções para 2012. A estimativa é de que, neste ano, a movimentação de cargas no complexo, calculada em 98,8 milhões de toneladas, crescerá apenas 1,9% em relação ao total que deve ser obtido em 2011, e cujo volume final ainda está por ser computado. O comportamento da direção da companhia faz sentido, já que, ao cabo de 2010, foi previsto que a movimentação poderia superar 100 milhões de toneladas em 2011, o que seria um marco na história do cais local, mas não foi assim. Em razão da crise global, que afetou os negócios de comércio exterior, a meta não foi atingida. Como o cenário mundial permanece retraído, a Codesp optou por trabalhar com números mais discretos. O cuidado, todavia, não elimina a expectativa de bons resultados, sobretudo no âmbito dos embarques de commodities agrícolas, sempre um dos destaques em Santos. As exportações de açúcar, por exemplo, foram eleva das em 2010, porém recuaram 15% em 2011. Neste ano, salvo na hipótese de graves imprevistos, uma redução desse nível não tende a se repetir. 

Por outro lado, um aspecto bastante positivo é que a Codesp irá manter a sua programação de obras e investimentos. Nada mais correto. A economia do País segue bem, e a crise lá fora não vai durar eternamente. Quando as coisas se normalizarem, as atividades portuárias decerto retomarão todo o seu vigor e, então, será imperioso que não falte uma infraestrutura moderna e corretamente dimensionada para sustentar os avanços. As avenidas perimetrais, nas duas margens do cais, terão prosseguimento, a dragagem do canal será concluída, e os destroços do navio Ais Giorgis, finalmente retirados, facilitando a navegação naquela área do estuário. Grandes obras de reforço de trechos do cais serão realizadas, o que ampliará os pontos de atracação.

Tudo isso, sem falar nos projetos a serem executados pelas empresas privadas, seja na implantação de novos terminais, seja na expansão e modernização dos já existentes. Em 2011, essas operadoras, em conjunto, investiram no Porto nada menos do que R$ 1,771 bilhão, um valor que, segundo tudo indica, será largamente suplantado neste ano.

Em síntese, o que se nota é que o Porto está sendo bem conduzido, e é preciso que continue assim, livre de interferências políticas, para que possa cumprir seu papel estratégico na economia do País, com ganhos inclusive para a região. Como prova de que as coisas mudaram, até lucro a Codesp passou a ter nos últimos anos, o que lhe dá meios para, com recursos próprios, corrigir falhas e melhorar ainda mais seus equipamentos e sistemas, de maneira que o cais evolua cada vez mais nos planos da agilidade e da eficiência. É, sem dúvida, a meta maior a ser perseguida, com firme persistência.

Fonte: A Tribuna

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